Alguns nomes chegam como escolha racional. Outros chegam como reconhecimento — quase uma lembrança espiritual do que sempre esteve ali, esperando que você percebesse, enfim.
A Mirtô nasceu desse tipo de encontro.
Durante muito tempo, eu busquei uma forma de traduzir o que sinto quando me aproximo dos livros. Eles sempre foram mais do que objetos de leitura. Eram lugares onde eu me encontrava, onde eu respirava, onde eu construía alguma espécie de templo silencioso dentro de mim. Ainda assim, eu não tinha um nome que expressasse essa relação de maneira verdadeira.
Quando descobri Mirtô, algo se alinhou. Não apenas pelo som suave, nem pela beleza da palavra, mas pelo que ela carrega — história, símbolo, essência. Eu não queria um nome bonito. Eu queria um nome que significasse algo.
E Mirtô significou.
O nome que me encontrou
Quando li que Mirtô vem do grego myrtos — murta, senti como se tivesse encontrado uma chave antiga. Pesquisei e soube que a murta é uma planta sagrada, consagrada a Afrodite, símbolo de beleza, pureza, amor e permanência. Desde a Grécia Antiga até tradições iniciáticas mais recentes, ela representa renovação espiritual e a harmonia entre corpo e espírito.
Tudo isso conversava com uma parte profunda da minha história — com a forma como a leitura sempre me tocou, com o caminho espiritual que trilho e com a noção de que cada livro carrega algo que ultrapassa o imediato. Mirtô era certamente mais do que nome. Era conceito. E também era resposta para as minhas perguntas.
A beleza que ninguém precisa justificar
Sempre senti que os livros tinham algo mágico. Afinal, para mim, cada leitura atravessa nosso sentir de um jeito diferente. Cada releitura aprofunda ou suaviza sentidos, revela detalhes que antes não existiam, entrega novas interpretações. Isso acontece porque, cada vez que abrimos um livro, já somos alguém inteiramente outro. Somos outra consciência, outra maturidade, outro olhar.
Para mim, essa é a verdadeira beleza dos livros: eles permanecem, nós é quem mudamos. Eles guardam sua estrutura, mas nos permitem viver novas versões de nós mesmos cada vez que voltamos a eles. É como se o livro fosse perene, e nós florescêssemos de novo a cada reencontro.
Quando entendi que a murta simbolizava beleza que renova, ficou claro que a Mirtô não seria apenas uma editora. Ela seria um lugar onde o texto floresce. Onde a palavra encontra sua forma mais íntegra. Onde as histórias ganham espaço para existir com dignidade.
E, talvez sem querer, percebi que era exatamente isso que eu buscava construir para os autores.
O encontro entre Sabedoria, Força e Beleza
Meu caminho com os livros nunca foi isolado. Ele se entrelaça com todas as fases da minha vida e todas as facetas que me compõem. Por isso, quando li sobre a murta como símbolo de renovação, sabedoria e harmonia, lembrei imediatamente do tripé que estudo e honro há anos: Sabedoria, Força e Beleza.

A Mirtô se tornou o lugar onde esses três pilares se encontram e onde o conhecimento é tratado como um ato de construção, cada livro é visto como legado e o trabalho editorial não nasce da pressa, mas da intenção.
A Mirtô é a tradução do tipo de editora que eu sempre desejei encontrar — para mim e para qualquer autor que queira deixar algo que permaneça.
Um templo que floresce
Quando penso em livros, penso em continuidade. Em deixar um legado, em guardar memória, em transformar a própria história em algo que respira para sempre.
A murta tem essa mesma natureza. Ela é perene, ela floresce de novo, ela não perde sua forma.
E era isso que eu queria oferecer aos autores: um caminho em que eles pudessem cultivar suas histórias, e não simplesmente “publicá-las”.
A Mirtô nasceu para isso: para honrar histórias, para transformar manuscritos em livros com integridade e para fazer com que cada autor se reconheça no resultado final.
A resposta para a pergunta que nunca parei de fazer
Por que Mirtô, afinal?
Porque é o nome que traduz o que eu acredito sobre livros.
Livros são templos, são flores que permanecem.
Eles tocam e transformam a nossa alma, mesmo quando não falam de espiritualidade.
Livros são heranças e a beleza que se mantém; eles nos encontram, mesmo que nada ao redor pareça o mesmo, mesmo que não seja mais como da primeira vez.
Acima de tudo, algumas histórias são como um caminho de volta para casa.
A Mirtô nasceu porque eu precisava de um nome que não fosse apenas marca, mas espelho daquilo que sinto quando pego um livro nas mãos.
Mirtô é esse espelho.
